Biografia de um livro: Reescrever o romance todo – Miguel Sanches Neto

27 de julho de 2013 – sábado
Desde a madrugada revisando o romance. Agora é passar as mudanças feitas no papel para o computador. Acredito que gaste um dia nisso. Eu me surpreendo mais uma vez com o final do romance. É como se eu estivesse lendo o livro de outra pessoa.

29 de julho de 2013 – segunda-feira
Passei as correções para o arquivo do computador. Na hora da substituição, é comum surgir uma terceira possibilidade de dizer a coisa. Então esta não é uma tarefa tão mecânica assim.

7 de janeiro de 2014 – terça-feira
Ontem adiantei bastante a nova revisão do romance. Este é o segundo tratamento do livro. Haverá mais um nos próximos meses.

Quando um livro fica pronto, o escritor já está meio saturado dele.

8 de janeiro de 2014 – quarta-feira
O segundo tratamento do texto gera muita tensão, pois o livro ainda possui falhas narrativas, descontinuidades. Hoje, resolvi problemas graves, acredito que depois será mais fácil.

6 de julho de 2014 – domingo
Preparo-me para começar uma nova revisão do romance – terceiro tratamento autoral. Este é um momento muito gratificante. Organizei a vida pessoal e profissional para que pudesse me dedicar a uma história com a qual convivo há quase três anos. É como se preparar para ver a namorada. Um sentimento de plenitude, uma ansiedade. A cópia impressa está na mesa. Amanhã cedinho começarei.

12 de julho de 2014 – sábado
Terminei de revisar a terceira parte do romance. São pequenas alterações agora, mas a mudança de uma palavra representa muito para o escritor. É como se ele reescrevesse o livro inteiro.

20 de novembro de 2014 – quinta-feira
Livia de Almeida, da Intrínseca, me sugere um novo título para o romance – A segunda pátria. Eu tinha pensado em Uma segunda língua, mas não era adequado. Muito vago; e o livro iria parar na estante de linguística. Aceitei o novo título.

7 de janeiro de 2015 – quarta-feira
Suspendi a escrita de um novo romance para me dedicar à revisão das provas diagramadas de A segunda pátria – quarto tratamento autoral. Fui até a página 117. Hoje foi um dia muito tumultuado, creio que amanhã avanço mais. Na primeira parte, encontrei ainda muitas coisas que precisavam ser mexidas. Já na segunda, que é mais antiga, são mínimas as alterações. É preciso me dedicar a este romance, embora a minha cabeça esteja no outro que comecei. Há sempre este descompasso para o escritor.

13 de janeiro de 2015 – terça-feira
Concluí a revisão de A segunda pátria e novamente me emocionei com o final, como se eu não soubesse como a história iria terminar.

Leia a coluna anterior: O romance está escrito

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